#HowIMetYourMother

O que aprendi com Ted Mosby

 

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Após nove temporadas, finalmente cheguei ao final de How I Met Your Mother e posso dizer que, embora o final (Não se preocupem, NÃO darei nenhum SPOILER) contrarie a opinião de muita gente, inclusive a minha, há um q- de realidade e lição de vida muito maior do que um feliz para sempre dos contos de fadas. Mas não é bem do final que eu gostaria de falar, e sim de Ted, o protagonista da série.

Ted é um cara muito apaixonado que nunca se cansa de arriscar por um novo amor. Ele está chegando aos seus trinta anos e está muito preocupado, porque na altura do campeonato, ainda não tem esposa e filhos. Assim, a todo custo, ele cria diversas situações românticas, acreditando que enfim encontrou A Garota Certa, que quase sempre acaba em decepção. Enquanto que para seus amigos, que já não o aguentam dizer que encontrou o amor de sua vida pela vigésima vez, o romance desperta naturalmente.

O engraçado é que assistindo a série, fui me identificando cada vez mais com o personagem. Claro que não penso em ter filhos e um marido agora, mas vendo a facilidade com que as pessoas deixam de se apaixonar atualmente, me pergunto: Será que aos meus trinta anos de idade terei conseguido encontrar O Cara Certo?

 Me considero uma pessoa bastante romântica, mesmo nunca tenha feito uma loucura que se comparasse com as do Ted, mas sempre torço pelo amor. Já me apaixonei muitas vezes. Lembro do meu primeiro amor no jardim de infância. Ele se chamava Pedro, tinha os cabelos claros, olhos verdes e era o mais alto dos garotinhos. Eu e todas as outras garotas éramos apaixonadas platonicamente por ele, embora acho que eu era mais. Pedro e eu brincávamos muito juntos, até que um dia sua família se mudou para a Bahia e nunca mais tive notícias. O caso se repetiu no ensino fundamental, ao me apaixonar pelo amigo de um amigo. Quando finalmente o beijei em meus exatos quinze anos, ele foi para Ibiza. Não sei, não, mas isso me cheira a karma, hein. Contudo, tempos mais tarde, na festa de formatura da minha melhor amiga, eu ia ao banheiro e, no caminho entre as mesas, cruzei com um garçom que coincidentemente, era ele…

Já no ensino médio, tive um pouco mais de sorte. Um garoto muito divertido decidiu se apaixonar por mim, acho que é por isso que ele não se mudou para uma terra distante. Ele era o comediante de sua roda de amigos e sempre parecia ter uma ideia mirabolante quando queria atingir um objetivo. E talvez eu possa dizer que um desses objetivos fui eu, já que em um dia de uma maneira totalmente inusitada e desprevenida, nos beijamos. Depois disso ficamos juntos pra valer e pela primeira vez eu soube qual era o real sentido do amor. Entretanto, com o passar dos meses, fomos sentindo na pele o quanto estávamos ficando incompatíveis, apesar de ainda nos gostarmos. Hoje, acredito que foi desses relacionamentos que possuem, de fato, um prazo de validade para que as pessoas aprendam uma com a outra, lições que levarão para o resto de suas vidas.

O quarto caso da coleção aconteceu no ano em que entrei para a faculdade. Eu acabei me apaixonando por um amigo e tentei abafar o sentimento, pois na velha história de entre amigos, algo a mais poderia acabar com a amizade. O problema foi que ao chegar em determinado ponto, se tornou insuportável fingir que não rolava nada e, por fim, me declarei. Ele porém, não sentia o mesmo. É claro que não era a resposta que eu esperava, já que nunca havia levado um fora antes. No entanto, não fiquei tão decepcionada quanto imaginaria que ficasse e o superei consideravelmente rápido. Atualmente é uma loucura pensar que na minha cabeça existiu uma cena de nós dois juntos, porque nossa linha de oposto extravasa ao limite dos opostos que se atraem.

Nessa trajetória idas vindas houveram várias outras participações especiais, não tão intensas, mas de alguma forma marcantes. Todas me fazendo pensar o quanto é fácil se envolver e deixar de se envolver. Gostar de verdade, por outro lado, nem tanto. São raros os casos, que conheço, nos quais houve uma durabilidade maior do que três anos. Isso porque, penso eu, que as oportunidades de se interessar por alguém dobraram de tamanho. Querendo ou não, as redes sociais e os aplicativos de relacionamento facilitam nossas vidas, que vivem na correria e ansiedade, e nos fazem criar um maior índice de descarte nas opções que poderiam dar certo para nós. E voltando ao Ted Mosby, me identifico especialmente com o personagem, pois ele dá sempre sua cara a tapa para lutar no que acredita, levantando de sua mesa costumeira no bar para ir conversar com a garota do balcão, roubando um trompete azul só para impressioná-la em seu primeiro encontro, dizendo estar apaixonado quando realmente está e não ocultar o sentimento por orgulho pessoal. Passando vergonha ou não, ele não se contenta em não mover os pauzinhos para criar sua própria felicidade.

Minhas amigas já engatadas em algum romance, assim como os amigos de Ted, me disseram muitas vezes que, pelo fato de eu esperar que a minha próxima história de amor aconteça a qualquer momento, posso acabar me metendo em uma tremenda frustração. Porque coisas assim não acontecem de um dia para o outro, levam um tempo para aflorar, principalmente se for real. E elas estão certas. Contudo, assim como Ted também passou por diversas vezes pela garota do guarda-chuva amarelo, sem nem perceber que seu grande amor estava tão próximo, acredito que o cara certo possa estar à metros de distância da minha faculdade, atravessando a mesma rua que eu atravesso todos os dias, frequentando os mesmos lugares que eu gosto de ir com os meus amigos, se apaixonando e desapaixonando todas as semanas, até que um dia, seremos apresentados por um acaso mero do destino e conversaremos sobre tudo o que temos e não temos em comum.

Vale lembrar, que até conhecer a pessoa certa, muitas outras pessoas certas e incríveis passarão por nossas vidas. A história não acaba, até que você queira que acabe do modo que sempre imaginou. Então, obrigada Ted, por mostrar que nessa guerra, o amor é o único combustível capaz de fazer com que nos mantemos com a esperança de sermos felizes.