#crônica

Desaprendi a arte de flertar!

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               Desaprendi a arte de flertar. Nada parece tão fácil como antes. Acho que as pessoas não sabem mais praticar o exercício da conquista por si mesmas e recorrem a tabela. E quando digo tabela, me refiro a todas aquelas frases de praxe que conhecemos muito bem.

              “Oi, posso te conhecer?”

              “Você é a garota mais bonita por aqui.”

              “Tem watss?”

              E por aí vai.  Por que parece tão difícil agir naturalmente, sem jogar qualquer indireta tosca que acabe com todo o clima? Às vezes, o cara tem uma boa aparência, é desprovido de todos aqueles atributos forçados de playboy, e ainda sabe levar uma boa conversa na maior parte do tempo. Mas chega um determinado momento, ele parece se desesperar, porque não introduziu uma cantada sequer e acha que a garota irá se desinteressar por isso. E eu afirmo, não, não vamos. Nos interessamos por boa retórica, por interesses em comum e pela quantidade de risadas que podem nos proporcionar sem fazer esforço.

              Aquela ideia de que sonhamos com o cara bonitão, que age como um príncipe, é falsa. Pelo menos nos dias atuais. Não procuramos pessoas perfeitas, que dizem tudo aquilo que queremos ouvir, até porque já estamos cansadas de ver a mesma história se repetindo nos filmes e na vida real. Essas frases piegas são soltas como flechas, para atingir o alvo. No caso, nós. Depois de atingido, isto é, no dia seguinte, perdem o sentido, porque elas só tinham um único e pequeno objetivo. Conseguir o prêmio da noite.

              Nos cansamos disso. Não acreditamos e nem gostamos mais. Um homem que usa do seu leque de frases de ação para tentar nos conquistar, certamente está perdendo 80% de sua chance de conseguir a garota, porque infelizmente isso provoca o efeito contrário do que se pensa. Ao invés de estar incendiando nossos corações, está esfriando outras partes. E o máximo que faremos é uma expressão de “Cai fora”. Mas também não posso ignorar que há gosto para tudo e que há exceções de mulheres que gostam disso. Como também existem caras que curtem garotas com atitudes ensaiadas.

             O uso dos jargões torna o desafio da conquista sem graça. Nada contra o clichê, é só que dessa forma perde a sinceridade e oculta um monte de qualidades que a pessoa poderia estar mostrando sobre si mesma. Se digo que estou sem recursos para o flerte, significa que não sei reagir bem a falta de inovação. Aliás, a falta de espontaneidade. Sabe aquele velho conselho de “Seja você mesmo?”, pois é, seja você mesmo. Não será o pré-estabelecido que mostrará se somos compatíveis ou não.

 

 

 

O que aprendi com Ted Mosby

 

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Após nove temporadas, finalmente cheguei ao final de How I Met Your Mother e posso dizer que, embora o final (Não se preocupem, NÃO darei nenhum SPOILER) contrarie a opinião de muita gente, inclusive a minha, há um q- de realidade e lição de vida muito maior do que um feliz para sempre dos contos de fadas. Mas não é bem do final que eu gostaria de falar, e sim de Ted, o protagonista da série.

Ted é um cara muito apaixonado que nunca se cansa de arriscar por um novo amor. Ele está chegando aos seus trinta anos e está muito preocupado, porque na altura do campeonato, ainda não tem esposa e filhos. Assim, a todo custo, ele cria diversas situações românticas, acreditando que enfim encontrou A Garota Certa, que quase sempre acaba em decepção. Enquanto que para seus amigos, que já não o aguentam dizer que encontrou o amor de sua vida pela vigésima vez, o romance desperta naturalmente.

O engraçado é que assistindo a série, fui me identificando cada vez mais com o personagem. Claro que não penso em ter filhos e um marido agora, mas vendo a facilidade com que as pessoas deixam de se apaixonar atualmente, me pergunto: Será que aos meus trinta anos de idade terei conseguido encontrar O Cara Certo?

 Me considero uma pessoa bastante romântica, mesmo nunca tenha feito uma loucura que se comparasse com as do Ted, mas sempre torço pelo amor. Já me apaixonei muitas vezes. Lembro do meu primeiro amor no jardim de infância. Ele se chamava Pedro, tinha os cabelos claros, olhos verdes e era o mais alto dos garotinhos. Eu e todas as outras garotas éramos apaixonadas platonicamente por ele, embora acho que eu era mais. Pedro e eu brincávamos muito juntos, até que um dia sua família se mudou para a Bahia e nunca mais tive notícias. O caso se repetiu no ensino fundamental, ao me apaixonar pelo amigo de um amigo. Quando finalmente o beijei em meus exatos quinze anos, ele foi para Ibiza. Não sei, não, mas isso me cheira a karma, hein. Contudo, tempos mais tarde, na festa de formatura da minha melhor amiga, eu ia ao banheiro e, no caminho entre as mesas, cruzei com um garçom que coincidentemente, era ele…

Já no ensino médio, tive um pouco mais de sorte. Um garoto muito divertido decidiu se apaixonar por mim, acho que é por isso que ele não se mudou para uma terra distante. Ele era o comediante de sua roda de amigos e sempre parecia ter uma ideia mirabolante quando queria atingir um objetivo. E talvez eu possa dizer que um desses objetivos fui eu, já que em um dia de uma maneira totalmente inusitada e desprevenida, nos beijamos. Depois disso ficamos juntos pra valer e pela primeira vez eu soube qual era o real sentido do amor. Entretanto, com o passar dos meses, fomos sentindo na pele o quanto estávamos ficando incompatíveis, apesar de ainda nos gostarmos. Hoje, acredito que foi desses relacionamentos que possuem, de fato, um prazo de validade para que as pessoas aprendam uma com a outra, lições que levarão para o resto de suas vidas.

O quarto caso da coleção aconteceu no ano em que entrei para a faculdade. Eu acabei me apaixonando por um amigo e tentei abafar o sentimento, pois na velha história de entre amigos, algo a mais poderia acabar com a amizade. O problema foi que ao chegar em determinado ponto, se tornou insuportável fingir que não rolava nada e, por fim, me declarei. Ele porém, não sentia o mesmo. É claro que não era a resposta que eu esperava, já que nunca havia levado um fora antes. No entanto, não fiquei tão decepcionada quanto imaginaria que ficasse e o superei consideravelmente rápido. Atualmente é uma loucura pensar que na minha cabeça existiu uma cena de nós dois juntos, porque nossa linha de oposto extravasa ao limite dos opostos que se atraem.

Nessa trajetória idas vindas houveram várias outras participações especiais, não tão intensas, mas de alguma forma marcantes. Todas me fazendo pensar o quanto é fácil se envolver e deixar de se envolver. Gostar de verdade, por outro lado, nem tanto. São raros os casos, que conheço, nos quais houve uma durabilidade maior do que três anos. Isso porque, penso eu, que as oportunidades de se interessar por alguém dobraram de tamanho. Querendo ou não, as redes sociais e os aplicativos de relacionamento facilitam nossas vidas, que vivem na correria e ansiedade, e nos fazem criar um maior índice de descarte nas opções que poderiam dar certo para nós. E voltando ao Ted Mosby, me identifico especialmente com o personagem, pois ele dá sempre sua cara a tapa para lutar no que acredita, levantando de sua mesa costumeira no bar para ir conversar com a garota do balcão, roubando um trompete azul só para impressioná-la em seu primeiro encontro, dizendo estar apaixonado quando realmente está e não ocultar o sentimento por orgulho pessoal. Passando vergonha ou não, ele não se contenta em não mover os pauzinhos para criar sua própria felicidade.

Minhas amigas já engatadas em algum romance, assim como os amigos de Ted, me disseram muitas vezes que, pelo fato de eu esperar que a minha próxima história de amor aconteça a qualquer momento, posso acabar me metendo em uma tremenda frustração. Porque coisas assim não acontecem de um dia para o outro, levam um tempo para aflorar, principalmente se for real. E elas estão certas. Contudo, assim como Ted também passou por diversas vezes pela garota do guarda-chuva amarelo, sem nem perceber que seu grande amor estava tão próximo, acredito que o cara certo possa estar à metros de distância da minha faculdade, atravessando a mesma rua que eu atravesso todos os dias, frequentando os mesmos lugares que eu gosto de ir com os meus amigos, se apaixonando e desapaixonando todas as semanas, até que um dia, seremos apresentados por um acaso mero do destino e conversaremos sobre tudo o que temos e não temos em comum.

Vale lembrar, que até conhecer a pessoa certa, muitas outras pessoas certas e incríveis passarão por nossas vidas. A história não acaba, até que você queira que acabe do modo que sempre imaginou. Então, obrigada Ted, por mostrar que nessa guerra, o amor é o único combustível capaz de fazer com que nos mantemos com a esperança de sermos felizes.

 

Sentir com cérebro = Pensar com o coração?

Brain vs Heart

Se no lugar do coração tivéssemos um segundo cérebro, a vida com toda certeza seria menos complicada e mais racional. Quando nos interessássemos por alguém, analisaríamos os prós e contras de uma só vez e sem hesitação. Não haveria aquelas discussões em que as duas pessoas possuem razão sobre seus sentimentos, porém motivos opostos para brigarem. E caso houvesse, nos reconciliaríamos rapidamente, pois desconheceríamos o significado de orgulho. O mimimi da relação seria colocado de lado e procuraríamos aproveitar somente os benefícios que ela tem a nos oferecer.

Não ficaríamos confusos com os dilemas, porque contornaríamos qualquer situação de entrave. Seríamos seres unidirecionais, pois não nos perderíamos nas voltas e relances das emoções e seríamos sinceros com o que realmente quiséssemos. Em outras palavras, as mulheres não seriam seres tão complexos, seriam mais diretas com suas repostas e não se fariam de difíceis só para impressionarem alguém. Já os homens não mentiriam tanto só para conquistarem uma pessoa, diriam o que realmente pensam sobre ela e se entrariam em contato no dia seguinte ou não.  O relacionamento começaria a base da sinceridade.

Também pouparíamos tempo ao não sentirmos ciúmes com tanta facilidade e assim não bolaríamos pensamentos indevidos de quem gostamos. E se o ciúme tivesse uma razão real, a verdade sobre os nossos parceiros possuírem segundas intenções com aquelas vadias do outro lado da rua viria à tona e então cansado de persistir na relação desgastada, não permaneceríamos mais nem um segundo com a pessoa por acharmos que com a força do amor, ela pudesse mudar, mesmo que no fundo soubéssemos que não passasse de uma falsa esperança. Não adiantaria insistir, porque não perdoaríamos uma pisada de bola.

O mundo certamente seria menos caótico, não? As pessoas pensariam duas vezes mais antes de fazerem más escolhas. Raciocinaríamos e racionaríamos o espaço e tempo para desfrutar o máximo que têm a nos oferecer. Seríamos seres incríveis, de alto conhecimento e pouca fragilidade. Seríamos também assustadoramente não humanos. Sim, não há termo mais adequado do que não-humano. Por quê? Porque não haveria compaixão, oportunidades e nem segundas chances. Seríamos quase proibidos de errar. E que ser humano em sã consciência não erra? O tempo todo? O mundo poderia ser mais fácil desse modo, mas o fato de complicarmos tudo e quebrarmos a cabeça para acharmos uma solução é o que nos motiva a viver. Se possuíssemos um cérebro no lugar do coração seríamos mais seletivos e dificilmente acharíamos alguém que quisesse exatamente o que queremos. Acabaríamos na companhia de nosso perfeccionismo. 

Abaixa a bola, colega.

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Ei, cara abaixa a bola porque você é muito menos do que pensa ser. Se sua intenção é conseguir fãs se orgulhando das coisas que faz só para se mostrar para os outros, ou para mim, tanto faz, não está dando certo. Você vive dizendo que não está viciado em drogas, que um cigarro a mais na boca não fará diferença. Bom, quanto ao cigarro não sei, mas você está viciado sim em uma droga. Você mesmo.

Quando está com os outros procura sempre se mostrar soberano, mas não duvido que ao se olhar no espelho não está tão satisfeito assim sobre o seu físico. Diz que está à procura da garota certa, que nenhuma até agora foi o suficiente para você. Por que não tenta se colocar na situação delas? Muito provável que nenhuma tenha conseguido competir com o seu ego.

Certamente não foi uma desilusão amorosa no passado que se tornou a grande razão para agir assim. Você é filho único, nunca aprendeu a dividir coisas com alguém. Cresceu acreditando que poderia conquistar o mundo, infelizmente com uma arrogância dispensável. Mas este nem de longe é o seu mal, todos possuem defeitos não é? O seu problema está em justamente enxergá-los como características supremas em qualquer outra pessoa que não seja você mesmo. Não importando quantas qualidades elas tenham, os defeitos, ainda que mínimos, sobressaem. Suas críticas serão sempre inferiores para diminui-la em relação a você.

E as vezes me pergunto o porquê age assim, será sistema de autodefesa?  Porém, tão logo percebo que é perda de tempo, já que nem todos precisam de uma razão para serem o que são. Você pensa ser um dom se impor aos outros, pois não se engane, colega, crescer em cima da sensibilidade de alguém é o principal motivo para terminar a sua história sozinho.