#BonequinhadeLuxo

Beijar é bom e eu gosto!

HollyModerna

Arte Thabs

Ele não me viu, está virado para o balcão conversando com um amigo. Ufa. O outro está na pista de dança, curtindo. Por sorte arranja uma garota por lá. Graças a Diós. O terceiro, está numa das mesas com uma galera e droga, acho que me viu e fingiu que não me reconheceu.

Já te ocorreu a má sorte de encontrar os seus casos amorosos reunidos em um só lugar sem eles saberem que estão juntos? Isso já aconteceu três vezes simultâneas? Bom, comigo sim e essa é a minha história.

Se tem uma coisa que sou boa é em me apaixonar. Eu amo me apaixonar! Nosso coração bate mais forte, a gente tem vontade de se produzir mais, é o momento que você pode mostrar o quanto é interessante e ocultar algumas verdades que não precisam ser ditas, você topa conhecer novos lugares, mesmo não sendo a sua praia e percebe o quanto pode ser descolada… Se apaixonar é a melhor fase de relação. Acho que é por isso que nunca fico muito tempo com uma mesma pessoa.

Já gostei de tanta gente, que me surpreendo por ainda não ter encontrado o amor da minha vida. Como pode nossos avós, terem gostado de uma ou duas pessoas na vida, sendo uma delas a certa com quem se casaram e constituíram a família que temos hoje? Nesse aspecto, as coisas para eles pareciam tão mais fáceis. Enquanto eu aqui, beijando um, dois, ou três caras numa noite e não lembrando o nome de nenhum deles no dia seguinte.

Nunca fui muito de ficar com um mesmo cara por muito tempo. Meu TMAN, Tempo Máximo a Aturar um Namoro, foram apenas três meses. Não tive a sorte grande de conhecer O Cara ainda, mas tenho esperanças. Enquanto isso, vou me aventurando por aí. E não, não ouse me chamar de vadia só porque estou com três caras ao mesmo tempo. Que coisa! Tenho todo o direito de gostar de alguém quantas vezes quiser, desde que as coisas não se tornem sérias e qualquer deslize se torne uma traição. Sou contra discursos feministas, sabe. Até porque de feminismo e machismo entendemos que há comparação de um sexo a outro. E sintaticamente falando, a igualdade está justamente em não comparar. Contudo, tenho que concordar que essa coisa de homem que sai com várias mulheres é considerado o fodão e mulher que fazem o mesmo a piriguete, está mesmo ultrapassada. Não existe essa coisa de sexo forte e sexo frágil e odeio ser etiquetada por normas que os todos acreditam menos eu.

Agora aqui estou, numa festa requintada, em um clube caro, pelo qual tive que economizar meses para entrar. E infelizmente dou de cara com três homens que não possuem nada em comum a não ser euzinha aqui.

Vou fazer uma recapitulada dos últimos acontecimentos de minha vida para que você não fique tão perdido. Tem esse garoto do bar. O típico gostosão metido a nerd que adora esbanjar o quanto sabe das coisas. Principalmente teorias sobre o universo. Por ele tive que aprender alguns tópicos de ufologia e ler Mundo Estranho. Uma graça com esses óculos de armação preta. Muito bem, próximo. O arquiteto que está dançando a minha esquerda é o meu amor de ensino médio. Ai ai. Fui apaixonada por ele durante todo aquele último ano, só que ele não sabia. Foi uma paixão platônica, sabe. Algo conspirava para que não ficássemos juntos naquela época. Mas as coisas mudaram na semana passada, quando ele ligou me chamando para sair. Considerei como um sinal divino, porque naquela mesma semana eu havia comprado o meu Louboutin chiquérrimo. Acho que ainda vamos nos casar, e vou estar usando estes sapatos. Só que para não assustá-lo, continuo deixando-o sem saber. E por último, e o menos importante, o otário sentado com os amigos, que assim como eu, está fingindo não me reconhecer. Ele é atraente, tem bom papo, usa roupas descoladas, mas não promete nenhum futuro do meu interesse. Sabe como é, não tem projetos e não quer nada com a vida além de curtição. Diz que quer viajar pelo mundo, mas ainda mora com a mãe. Razão número um e única para que eu terminasse com ele. Ah, só tem uma coisinha, ele também não sabe disso ainda.

Três homens, sendo um já descartado da lista, uma festa fabulosa, pessoas bonitas, minhas amigas e um copo de Martini. Quais seriam as melhores soluções para o momento?

1. Dar a meia volta e voltar para a casa como uma coelhinha fujona. 12065729791065336704jetxee_check_sign_and_cross_sign_1.svg.hi

2. Escolher entre o astrofísico e o arquiteto, e com um deles ter uma noite encantadora. Check mark in box

3. Ignorar a todos e ter uma noite com as garotas. Check mark in box

4. Me apaixonar pela quarta vez. Check mark in boxCheck mark in box

Dou um gole no Martini satisfeita e… cof… um momento.

– Você está bem? – pergunta Lídia, minha amiga.

Tusso novamente. Engasguei com algo… com… cof… a azeitona. Começo a balançar as mãos no ar e alguém me abraça por trás, na altura de meu diafragma. Sou apertada, uma, duas, três vezes e cuspo a azeitona no chão. Lídia dá um meio sorriso sem graça. Primeiro acho que é por causa da minha cena, porém quando me viro, o meu salvador me cumprimenta. Desta vez, longe dos amigos. Não dá mais pra fingir que não nos reconhecemos.

5. Dar uma segunda chance.quadrado